Análise aponta cenário negativo para o milho

12 de outubro de 2026  ·  Agrolink

Análise aponta cenário negativo para o milho

O mercado de grãos recebeu sinais distintos do relatório de outubro, com pressão sobre o milho e atenção aos óleos vegetais na soja. Segundo Felipe Fuchs, consultor em comercialização estratégica, o milho americano ganhou oferta, enquanto o balanço da soja mudou pouco.

No milho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a produtividade estimada de 178,5 para 181,2 bushels por acre. A produção foi revisada para cima em 234 milhões de bushels e os estoques finais aumentaram 282 milhões, alcançando 1,849 bilhão de bushels.

A leitura é negativa para as cotações porque a oferta avançou mais do que o consumo. Mesmo com a elevação das exportações, o balanço ficou mais confortável e menos favorável aos preços.

Na soja, os ajustes foram menores. Os estoques finais americanos subiram apenas 5 milhões de bushels, para 315 milhões, enquanto o quadro mundial apresentou pouca alteração. O foco passou aos óleos vegetais.

O USDA reduziu em 2,2 milhões de toneladas a previsão de produção de óleo de palma da Indonésia. Com os estoques globais de palma projetados no menor nível desde 2017/18 e os estoques de óleo de soja recuando para 6,85 milhões de toneladas, o segmento pode ganhar peso na formação dos preços da oleaginosa.

Isso, porém, não representa garantia de valorização. A eventual força do óleo precisará compensar a oferta mundial de soja e a dinâmica do farelo. Para o produtor, o cenário recomenda cautela na comercialização do milho ainda não vendido e acompanhamento conjunto de Chicago, dólar, prêmios regionais, óleo e farelo no caso da soja.