O que torna uma lavoura mais resistente ao clima?
14 de setembro de 2026 · Agrolink
As mudanças climáticas ampliam os desafios para a produção agrícola ao alterar relações ecológicas, aumentar a frequência de eventos extremos e exigir sistemas mais preparados para enfrentar riscos. A análise é baseada em artigo do professor Fabian Menalled, da Montana State University, e equipe, apresentado por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e do Conselho Científico Agro Sustentável.
O estudo destaca que processos ecológicos e evolutivos podem ocorrer em escalas de tempo semelhantes, influenciando a relação entre culturas, pragas, inimigos naturais, plantas daninhas e condições ambientais. Variações de temperatura, CO₂ e precipitação também podem modificar a competição entre espécies e a eficiência de práticas de manejo.
A resiliência dos agroecossistemas é associada à capacidade de resistir a impactos, substituir componentes, recuperar-se e adotar novas práticas. Sistemas simplificados e dependentes de insumos externos tendem a apresentar maior vulnerabilidade, enquanto estruturas mais diversificadas, como sistemas agroflorestais e integração lavoura-pecuária, podem ampliar a capacidade de resposta.
O artigo também propõe o uso da análise quantitativa de risco para comparar estratégias como plantio direto, cobertura vegetal e rotação de culturas. Além da escala da propriedade, os autores apontam a necessidade de políticas e modelos de governança que favoreçam adaptação climática, segurança alimentar e redução das desigualdades.
“Para superar restrições socioeconômicas e políticas, os autores defendem a adoção de uma governança policêntrica — um modelo descentralizado, flexível e participativo que envolve múltiplos atores da cadeia alimentar, promovendo políticas que facilitem a transição climática, garantam a segurança alimentar e reduzam as desigualdades socioeconômicas”, conclui.